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Danilo levava uma vida estável. 10 anos de um casamento monótono. 1 ano com a amante-coroa. Pouca ambição. Pouca emoção. De repente, perde a mulher, a amante e a faxineira. Faz 40 anos. Descobre a crise dos 40. Volta a freqüentar a noite. Conhece mulheres estranhas em festas estranhas. Começa a se achar estranho. Sua vida muda. Ganha vida.
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SEXO É TUDO!
Tudo menos isso! Existem mais quarentões inseguros por aí do que se imagina. Para os brasileiros com 40 anos ou mais, o medo de perder o desejo sexual é tão importante quanto o medo de perder a renda. Só o temor de ficar doente é maior. Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada pelo Projeto Sexualidade (ProSex), do Hospital das Clínicas de São Paulo, e pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em parceria com a Bayer Schering Pharma. O estudo mostra que 30,8% dos homens ouvidos têm receio de não sentir mais desejo sexual. No caso das mulheres, o percentual cai para pouco mais de 10%. Além disso, 27,3% dos homens também têm pavor da possibilidade de perder a ereção com a idade.
QUARENTÕES GORDUCHOS
O mesmo estudo acima ainda revelou que 16,2% da população masculina com 40 anos ou mais é obesa, 23,8% levam uma vida sedentária, 16, 8% não se alimentam de forma saudável, 15% já usaram medicamentos para conseguir ereção e apenas 33,5% já realizaram o exame urológico com toque retal.
CRAQUES QUARENTÕES
A expectativa de vida do brasileiro está aumentando. Nos últimos 15 anos, a esperança de vida no país aumentou de 66 para 69 anos. Um exemplo disso pode ser observado no cotidiano daqueles que ainda exercem atividades profissionais, como os jogadores de futebol. Cada vez mais, os quarentões brilham pelos gramados do Brasil. Romário, aos 41 anos, está a um gol do milésimo e ainda não fala convictamente do encerramento da carreira. Na medida em que a tecnologia avança e a fisiologia esportiva ganha com isso, a tendência é que a cada década os atletas profissionais adiem o encerramento de suas carreiras. Antonio Carlos, no Santos, e Edmundo (que está completando 36 anos), no Palmeiras, são outros exemplos de quarentões bons de bola.
O MAIS SEXY, AOS 45.
Alguns quarentões falam em crise. Outros, pelo jeito, estão em alta no universo feminino. O consagrado ator George Clooney, do alto dos seus 45 anos, acaba de ser eleito o homem mais sexy do mundo segundo a revista People. A publicação realiza anualmente este ranking, que tem repercussão mundial. E não foi só. O segundo colocado da mesma lista foi outro quarentão: Patrick Dempsey, protagonista da série Grey’s anatomy. Ele tem 40 anos. Outro ator veterano na lista é Johnny Depp, o divertido pirata do Caribe. Ele ficou em quinto lugar com seus 43 anos.
EM FORMA AOS 47!
A cantora Madonna, aos 47 anos de idade, foi escolhida pelos britânicos como a mulher acima dos 40 anos com o corpo mais bonito do mundo, segundo uma pesquisa publicada pela revista feminina “Top Sante”, na Inglaterra. 2 mil mulheres com idade acima dos 40 foram consultadas
A mesma pesquisa perguntou às entrevistadas como elas mesmas procuram manter a forma. Cerca de 60% revelou que prefere não tomar café-da-manhã todos os dias para perder peso, enquanto 90% não sente que seu corpo é suficientemente perfeito para vestir um biquíni na praia. Metade das entrevistadas admitiu já ter feito alguma cirurgia estética.
Um bom exemplo da pressão que são submetidas hoje em dia as mulheres com mais de 40 anos, em busca do tão sonhado corpo perfeito.
FUMAR E BEBER AOS 40
Pessoas obesas aos 40 anos podem ter sua expectativa de vida reduzida em até sete anos, de acordo com pesquisadores holandeses. De acordo com eles, a combinação de obesidade e fumo é ainda mais perigosa nesta idade. Uma mulher que aos 40 anos é obesa e fumante pode morrer 13,3 anos antes do que uma mulher magra e não fumante. Já um homem fumante tem sua expectativa de vida reduzida em 6,7 anos. Segundo o estudo, mesmo se a pessoa perder peso mais tarde, ela continua tendo um risco maior de morrer mais cedo do que uma que nunca foi gorda aos 40 anos.
GATÃO DE MEIA IDADE
Quarentão em crise, separado, deprimido, com problemas com a ex-mulher, e ao mesmo tempo conhecendo e saindo com mulheres de diversos tipos não é uma exclusividade de Danilo. Adrianes, Camilas, Glendas e Kellys (algumas das mulheres mais recentes de Danilo) estão indo e vindo por aí, à disposição de qualquer gatão de meia idade. Livros (ver abaixo “Alta Fidelidade” e “Tio Fracassado”), sites de relacionamentos (ver abaixo “Quarentões Online”), outros blogs, programas de televisão (ver abaixo “Quarentões na TV”) e até filmes estão abordando, com bom humor, este universo no mínimo divertido.
A mais recente novidade é o filme “Gatão de Meia Idade”, do diretor Antônio Carlos da Fontoura. Baseado nos quadrinhos de Miguel Paiva, conta a história de um quarentão, em crise, apaixonado por uma mulher bem mais jovem enquanto passa por um período difícil com a ex-mulher. O ator encarregado de interpretar o gatão de meia idade Cláudio é o divertido e competente Alexandre Borges. Como acontece nos quadrinhos, publicados semanalmente pelo jornal O Globo (do Rio), a filha é a mulher mais constante da vida do Gatão. Separado da esposa, Betty (Julia Lemmertz, mulher de Alexandre Borges na vida real), ele vive se envolvendo com novas mulheres, como uma quarentona sensual (Ângela Vieira), uma adolescente (Thais Fersoza) e uma motoqueira que sabe usar os punhos (Cristiana Oliveira).
BONS TEMPOS
Franceses ou italianos: quem broxa menos? Pesquisa realizada no ano passado aponta que, entre os franceses maiores de 40 anos, um em cada dois homens (46%) admite já ter tido pelo menos uma "disfunção erétil". Comparativamente, apenas um italiano em cada cinco (21%) diz ter tido este tipo de problema. No mesmo estudo, outro dado curioso relacionado aos homens da França: pelo menos 3 em cada 10 entrevistados maiores de 40 anos dizem desejar ter a vida sexual que tinham quando eram mais jovens e vigorosos. A proporção destes saudosistas é de 32% entre os homens de 40 a 44 anos e aumenta para 58% entre os de 70 a 74, caindo para 52% entre os maiores de 75. É, os bons tempos...
QUARENTÕES ONLINE
A vida começa mesmo aos 40? No mundo virtual, parece ao menos que ela esquenta aos 40. No Orkut, por exemplo, há uma infinidade de comunidades dedicadas exclusivamente a este público, digamos, experiente. Neste espaços virtuais, além dos joguinhos diários do tipo “você me comeria?” ou “o homem mais bonito da comunidade” tem gente se conhecendo de verdade, fazendo boas amizades e até se apaixonando.
Na comunidade Jovens acima dos 35...40 anos (1.331 membros), e em várias outras, são divulgadas noitadas para solteiros acima dos 35 anos às segundas e quintas-feiras, em casas noturnas conhecidas de São Paulo. A idéia é juntar o público de várias comunidades dessa faixa etária nestes locais. Os argumentos, expostos na comunidade, são curiosos:
"Quando nos separamos perdemos todas as nossas referências de locais para encontrarmos alguém legal, de amigos que se perderam na adolescência, os amigos adquiridos no casamento... Vamos modificar isto! Venha curtir com a gente uma balada para pessoas maduras com idade acima dos 35 em ambientes sofisticados por um preço muito módico. Música para dançar ao som do Dj Willyan, divertidos torpedos, muita paquera, num ambiente cheio de charme, a luz de lamparinas coloridas, gente bonita, local romântico onde poderá ser revivido ou vivido momentos maravilhosos, além de resgatarmos a brincadeira da Maria cebola onde as mulheres em um certo momento tiram os homens para dançar sem crise de convenções sociais!"
É comum, também, os associados de cada comunidade trocarem publicamente nome, msm, idade e outros detalhes pessoais para se conhecerem melhor. Aconteceu recentemente, por exemplo, na comunidade 30 & 40 (tões) maravilhosos! (2.960 membros). Curioso: a maioria que se expõe nestas brincadeiras é mulher.
Na comunidade Na casa dos 30 (4.891 membros), algumas trintonas criaram um bar virtual, o Bar dos Trintões, para substituir um happy-hour de verdade. Fez sucesso, de novo com predominância feminina. Quase 700 recados foram trocados em poucos dias.
Uma das mais populosas é a comunidade Homens e Mulheres de 40! (com 7.612 membros). Um dos temas que mais atraiu participantes, recentemente, foi “A pessoa acima tem chance?”. Quase 2.700 gracejos foram trocados em poucos dias. Outros exemplos: Solteiros acima dos 40 anos (2.102 membros), Só entra com mais de 40 (5.905 associados), 40 Light (927 integrantes) e Troco dois de 20 por um de 40 (incríveis 14.585 membros).
ALTA FIDELIDADE
Rob Fleming tem 35 anos, é inglês, vive em Londres e tem sua Camila, uma bem-sucedida e atraente advogada que mora com ele há alguns anos. Seu nome: Laura. Ele deixou a faculdade e hoje vive, duramente, às custas de uma loja de discos de vinil quase falida. Laura vai embora. E toda a crise de Rob fica aparente. “Alta Fidelidade” (Editora Rocco), do competente escritor inglês Nick Hornby, já virou um clássico. É uma história sobre monogamia, relações amorosas, solidão e sensibilidade masculina, temperada por música pop, ironia e bom humor. Um dos defeitos (será defeito mesmo?) de Fleming era achar que a monogamia era quase um crime – isso até Laura o abandonar. Ele tem também um vício: uma terrível mania de dissecar a vida em incontáveis listas das Cinco Mais. Cinco Mais Qualquer Coisa. Logo que Camila, digo, Laura vai embora, ele faz um balanço das cinco piores separações da sua vida: Alison, Penny, Jackie, Charlie e Sarah. Laura ficou fora da lista por não ter provocado muito sofrimento. Além disso, ela o trocou por Ian, um vizinho que ouvia discos horríveis. Algo imperdoável para Rob. Ele busca consolo com os balconistas de sua loja, Bary e Dick, com quem mantém conversas tipicamente masculinas sobre outras listas, dos melhores filmes - entre eles Cães de aluguel - aos melhores episódios do seriado Cheers, passando, naturalmente, pelas melhores músicas. No meio de tudo isso, no entanto, Rob começa a fazer uma reflexão sobre a vida aos 35 anos, as lições que ela traz e todos os compromissos e desilusões que ela implica. Narrado na primeira pessoa por Rob, “Alta fidelidade” é um romance de geração. Por trás do auto-retrato de um perdedor, surge uma análise fascinante da desorientação afetiva masculina deste final de milênio, da busca pela felicidade - e pela fidelidade - a qualquer preço. Imperdível para homens, que certamente vão se identificar, e para mulheres que querem se divertir ou, até mesmo, tentar entender melhor a cabeça de seus homens que já se aproximam dos 40 anos.
QUARENTÕES NA TV
As decepções e expectativas de um quarentão, descritas nos posts ao lado, invadiram também a tela da Globo no último dia 27 de dezembro. A emissora exibiu o especial “Os Amadores”, um drama curioso e bem humorado sobre quatro quarentões. Por diferentes motivos, os protagonistas (Cássio Gabus Mendes, o floricultor Marquinho; Murilo Benício, o cirurgião plástico Guilherme; Matheus Nachtergaele, o escritor de auto-ajuda Jaime; Otávio Mueller, o funcionário público Tadeu) vão parar numa UTI depois de quase morrerem.
Marquinho, por exemplo, que teve um ataque cardíaco após sua esposa encerrar um casamento de 20 anos, durante sua estada na UTI, tem visões curiosas. Numa delas, ele “conversa” com o herói Nacional Kid – primeiro herói nipônico no Brasil, que brilhou por aqui na década de 60.
Os quatro personagens se conhecem na própria UTI e decidem se unir para enfrentar juntos o “resto de suas vidas”. Eles combinam, por exemplo, que vão resolver os problemas uns dos outros. É quando a confusão piora. Marquinho se apaixona pela ex-mulher de Guilherme, que por sua vez se envolve com a ex de Marquinho. E por aí vai. Para quem gostou, agora é torcer para o especial entrar para a programação fixa da Globo em 2006 e virar série semanal. Mais informações no site http://osamadores.globo.com.
TIO FRACASSADO
Toda família clássica tem um fracassado. Aqui, o fracassado é um tio de 40 anos alcoólatra, depressivo, fumante compulsivo, obcecado sexual e inconstante no emprego. Ele acumula uma série de tropeços marcantes em sua vida, como divórcio, falta de descendentes e concubinato com mulheres divorciadas. Ele é o exemplo para a família toda. O mau exemplo. Já tentou dois “suicídios afetivos” (casamentos, em sua própria linguagem), que também fracassaram. Esta é a história curiosa do premiado “Mamíferos” (Companhia das Letras), livro do francês Pierre Mérot, que utiliza um tom corrosivo e amargo e, ao mesmo tempo, sarcástico e hilariante para fazer um balanço de um naufrágio humano. Vale a pena ler. Qualquer semelhança com os posts publicados neste blog será mera coincidência. Eu espero.
VIVENDO MAIS
Uma coisa é certa: é melhor ter 40 anos hoje do que 100 anos atrás. Em 1900, por exemplo, a expectativa de vida dos homens era de apenas 40 anos. Hoje, especialmente nos países desenvolvidos, se vive muito mais. No Japão, por exemplo, campeão mundial neste quesito, a expectativa de vida é de 81,9 anos. No Brasi, pesquisa divulgada dia 1º de dezembro pelo IBGE, mostra que a expectativa de vida do brasileiro, em média, é de 71,7 anos. No Distrito Federal, temos nosso melhor desempenho, com expectativa de vida de 74,6 anos. Já em Alagoas, a expectativa de vida é de apenas 65,5 anos.
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Sexta-feira, Outubro 03, 2008
Há um ano...
A primeira transa com qualquer mulher é sempre um acontecimento memorável na história sexual de qualquer macho, até mesmo quando a mulher não é bonita. Desde, é lógico, que o homem esteja sóbrio e possa apreciar com atenção o que vai acontecer. Todo o ritual que envolve esta primeira transa é tão excitante quanto o ato em si. E não estou falando de preliminares. Falo de iniciativas, de insinuações, de olhares, de tentativas, de riscos, de sensualidade. Quem demonstra primeiro que quer fazer sexo com o outro e como demonstra isso, por exemplo, é um momento único na vida de um casal, tão ou mais inesquecível que o primeiro beijo, pois, assim como este beijo, nunca mais se repetirá. A segunda transa, não importa quanto demore para acontecer, é totalmente diferente. O cara já chega dono do pedaço, já chega pegando nos peitos, passando a mão onde bem entender, já tira o pau pra fora e pede pra mulher chupar. E ela chupa, mesmo que não tenha chupado da primeira vez.
Eu e a irmã da minha vizinha, quase um ano atrás, dormimos a noite toda juntos quando subimos para o meu apartamento para o último vinho. Mas nada aconteceu como eu infantilmente imaginava. Taís pode ser qualquer coisa, menos previsível quando o assunto é sexo. Esqueça os padrões que venho mencionando de trintonas ou quarentonas encalhadas ou não. Taís não tem nada em comum com a maioria dessas mulheres. E três diferenças ficam muito claras após uma simples noite na cama com ela: (1) ela não está buscando um novo marido, (2) ela está buscando sexo, e sexo de ótima qualidade e (3) ela não vai esperar que o homem faça este sexo de ótima qualidade acontecer. Não é exagero dizer que nossa vida sexual começou no elevador, nos poucos segundos que ficamos dentro do elevador rumo ao meu apartamento. A câmera de segurança? Lembrei dela uma semana depois, ao notar alguns sorrisos estranhos dos porteiros.
Naquela noite, devolvi o promissor vamos com um promissor sorriso.
“Mas vamos antes que eles voltem”, ela ordenou.
Entramos no elevador e ela já me olhava diferente. Acho que o vinho ajudava, mas não era só isso. Havia algo mais ali. Ela olhou fundo nos meus olhos e em seguida abaixou a cabeça, como se olhasse para os seus pés. Olhou outra vez para mim e, como num incrível passe de mágica, arrancou sua blusa. Mão esquerda na cintura, mão direita segurando a blusa, e um promissor sorriso sem-vergonha no rosto. Sem sutiã, peitos branquinhos, grandes, bicos grandes.
“Você gosta dos meus peitos, não gosta?”, ela checando, quando faltavam quatro andares para chegarmos.
Não respondi, mas senti a aprovação imediata do meu pau.
“Olhou para eles a noite toda. Eu vi”, ela disse, já passando pelo andar de cima. Fiz o que qualquer outro homem faria nesta situação, peguei nos dois peitos e comecei a beija-la, tudo ao mesmo tempo. Ela beijava com suavidade, com uma certa docilidade que contrastava com sua postura, com sua respiração e com sua mão dentro da minha calça. Isso durou os segundos que um elevador leva para subir dois andares e abrir a porta. E acabou no exato instante em que demos de cara com a minha vizinha viúva. Estranhamente, ela sorriu e mostrou pouco constrangimento. Dona Iracema é atriz aposentada. Acho que é verdade quando dizem que a maioria dos artistas é sem-vergonha. Não quero nem imaginar se fosse minha outra vizinha, a dona Luiza, funcionária pública há 20 anos, orgulhosamente, na mesma repartição.
É óbvio o que aconteceu logo depois que dei boa noite para dona Iracema e entramos correndo no meu apartamento. Fomos direto para o quarto e já chegamos pelados à cama. Fomos direto ao ponto, várias vezes, com poucas preliminares. Taís gostava que tocasse nos seus seios e delirou quando fiz sexo oral nela, mas o que ela queria e gostava mesmo era ser penetrada. Era disso que ela realmente precisava.
Transamos muito e dormimos exaustos. Pela manhã, quando abri os olhos, ela estava acordada e continuava nua, com um sorriso pretensioso me desafiando. Recomeçamos e depois voltamos a dormir. Quando acordei de novo ela já não estava lá.
Uma boa noite de sexo? Sim e não. O que era pra ser só sexo repetiu-se seguidamente nos dias seguintes, semanas seguintes, meses seguintes. Virou um relacionamento. Trocamos amigos. Conhecemos parentes um do outro. Namoramos. Fizemos planos. Aparentemente, fizemos planos. E acabou ontem, quando ela veio até a minha casa e me disse com determinação que não tinha mais tesão por mim. Assim. Simples assim.
11:39 PM
Terça-feira, Outubro 23, 2007
Provocações"Faz muito tempo que você está viúva?", tomei a iniciativa e dei inícios às perguntas de sempre.
"Foi há quase um ano. Passei muito tempo com ele e ainda não me acostumei. Uma vida inteira, quase. A gente se conheceu ainda adolescente, casei virgem, estas coisas. A Solange me disse que você está passando por uma fase parecida", Taís falava com firmeza, enquanto balança uma perna e segurava com elegância uma taça com pouco vinho.
"Não sou viúvo não, nem casei virgem”, falei, rindo da minha astúcia.
“Ela disse que você se separou há pouco tempo, e que tinha ficado muito tempo com sua ex”.
“Faz quase dois anos já”, respondi.
"Mas, no meu caso, eu conheci minha ex só aos 30 anos. Conheci muita gente antes. Deu pra aproveitar um pouco. Pra você deve ser mais difícil, né?", acrescentei, com uma dose de ironia. Era o vinho.
"Ah. É verdade. Mas eu acho mais complicado é o jeito como as coisas terminam. Eu, por exemplo, ficaria muito mal se o Paulo tivesse me largado de surpresa no dia do meu aniversário e deixado só um bilhetinho de adeus".
"Como você sabe disso?".
"A Solange".
"Você tem razão. Foi foda. Falando em foda, você se arrepende de ter transado com apenas um homem apesar de já ter 35 anos?".
”Mas foi bom enquanto durou. Não me arrependo, não. Tenho tempo ainda para sair com outros homens. E você, já está recuperado?”
”Como assim?”
"A história da tal de Morgana..."
"Que Morgana?"
"Quer mesmo que eu fale?"
"Fala"
"A que te roubou a Camila. BEm moderno isso, não acha?".
"A Solange é foda"
"É"
Eu ri da situação. Ela riu de volta. Não havia muitas perguntas a serem feitas. Sabíamos o suficiente para fazer o que queríamos fazer.
“Olha, eu fico meio constrangido de ficar aqui na casa deles. De repente, eles querem ir dormir e a gente está atrapalhando. Você não quer terminar este papo na varanda do meu apartamento, lá em cima, tomando mais um pouco de vinho?”
Ela sorriu, olhou para fora, para os pés, para dentro e para os meus olhos. Durante quase um segundo, como dizia a música. E aceitou, com um simples e promissor vamos.
7:58 PM
Sexta-feira, Outubro 19, 2007
A amiga solteira da mulher horrível do meu amigoOs dois fazem de tudo para parecer que nada foi arranjado, que é tudo natural, que ninguém está curioso para conhecer ninguém. Besteira. Ambos estão sendo analisados detalhadamente. Um pelo outro e ambos pelo amigo em comum. As roupas. O corpo. O cabelo. O sorriso. A voz. As opiniões. O humor. A inteligência. O cheiro. É sempre assim quando você embarca no convite de um amigo para conhecer uma amiga solteira e super interessante da sua esposa. Uma daquelas solteiras, diz ele, que ninguém entende porque está solteira.
Embarquei numa dessas algumas semanas atrás. A solteira: Taís. O amigo: Ronaldo. A esposa do amigo: Solange, garota muito gente boa, mas daquele tipo que ninguém olha, ninguém quer, ninguém come. Quase ninguém, claro. Ronaldo come e já há alguns bons anos. Não come só ela, mas se considera casado com a mulher certa. Vai entender.
Quando cheguei no apartamento do casal, os três estavam sentados na varanda, tomando vinho. Cheguei atrasado, como sempre. Foi de propósito. Minha intenção era enviar um recado direto para os três, algo do tipo “não estou desesperado, ok?”.
Enchi minha taça e sentei-me ao lado de Taís. Claro que aquele era o único lugar disponível. O show tinha começado.
Eles me cumprimentaram, com entusiasmo moderado. Fui apresentado a Taís, que igualmente demonstrou entusiasmo moderado pela minha presença. Não sei o que seria pior. Não queria chegar e ser o centro das atenções. A solução para a vida de alguém, mesmo que fosse a solução para a vida sexual de alguém-gostosa. Mas um pouco mais de entusiasmo, de todos eles, não faria mal algum. Estavam disfarçando demais e, afinal de contas, eu estava ali por eles. Continuaram a conversar a mesma conversa que conversavam antes que eu chegasse. Falavam de um filme que tinham visto juntos, os três juntos, mais cedo, no DVD. Riam e repetiam cenas do filme. Separados pelo Casamento. Que não vi. E que contava a história de um casal feliz que não conseguia mais se comunicar, que deixou de ser feliz e que logo deixou de ser um casal. Comédia, pelo jeito.
Taís ria. Comentava partes do filme. Falava com todos. Estava à vontade. Mas continuou firme, sem me endereçar um único olhar exclusivo no meio de suas falações e risadas. Manteve a distância. Manteve as aparências. Manteve o topete. Ela não estava desesperada para conhecer ninguém, era o recado.
"Os homens não entendem o que as mulheres querem. Não prestam atenção em nada. Só pensam neles". Era Taís, aproveitando a deixa da falta de comunicação entre o casal do filme, para me mandar um típico recado feminino desta faixa etária. Ela tinha 36. Desta vez ela olhou um pouco mais para mim. Acho que queria a minha opinião.
"Ah, isso é verdade. O Ronaldo até hoje, depois de tantos anos, não me conhece direito. Nunca lembra o que eu gosto. Nunca entende minhas reclamações". Solange, respondendo.
Olhei para o Ronaldo, que olhou para mim. Chequei as duas, o jeito como se olhavam.
"Que horas é o jogo amanhã?". Ele me perguntou.
"Homem não consegue conversar. O Paulo só sabia reclamar, reclamar e reclamar. E se irritar quando eu reclamava dele". Taís para todos, de novo me dando uma olhadela de rabo de olho. Falava do finado marido. Era viúva, mas este “detalhe” só fiquei sabendo lá.
"Às quatro. Vamos lá?". Eu, para Ronaldo, sobre o jogo. Taís olhou feio pra nós dois.
"Vamos jantar?" Solange, para todos.
"Vamos", Ronaldo pra mim, sobre o jogo. "Onde vai ser?"
"Vamos", Taís, levantando, para todos.
Fomos. E comemos. E bebemos mais. E continuamos nossa conversa desconexa.
E depois aconteceu o que eu já esperava. Solange e Ronaldo inventaram alguma coisa pra fazer no quarto e nos deixaram sozinhos, eu e Taís, de volta à varanda, cada um com sua taça de vinho tinto na mão. Foi quando começamos a conversar de homem para mulher. De solteirão pra solteirona. Foi quando notei que estava meio alto. Foi quando fiquei com vontade de levar Taís pra cama pela primeira vez.
3:16 PM
Quarta-feira, Outubro 17, 2007
Mulher-frankstein
O engraçado desta fase de solteirice é olhar para trás e ver quase apenas nomes e rostos. E corpos, claro. Pedaços de corpos. Cintia, Kelly, Rosângela, Ivonete, Ana Maria...Cacete. Lembrar desses nomes é como lembrar de um quebra-cabeça desmontado cujas peças teimam em não se encaixar. É pensar num nome e lembrar de um par de peitos. É lembrar de outro nome é pensar num beijo. Num cheiro, numa trepada, num sorriso, numa voz, num olhar. Cada nome, uma lembrança. Cada lembrança, uma explicação. Cada explicação, uma busca. Pela mulher ideal? Pedaços da mulher ideal estão por aí, aos montes. Toda mulher tem o seu. Pensando bem, nem toda, tinha esquecido minha nova vizinha. Uma quarentona divorciada que é feia, sabe que é feia e parece gostar de ser feia. Natália. Outro dia vou falar sobre Natália.
Quando a gente tem 20 anos também brinca de quebra-cabeças com as mulheres. A gente imagina a loira do bar, com os peitos da morena que dança na pista e a bunda da ruiva agarrada no canto com o namorado. Fazemos isso o tempo todo. Comentamos com os amigos. Todos opinam, cada um "monta" sua mulher com os ingredientes disponíveis ao redor.
Quando ficamos mais velhos e continuamos olhando para as mulheres e procurando alguma coisa, a brincadeira de Frankstein fica mais complicada. Aparecem outras peças. A mulher bem-sucedida. A mulher inteligente. A mulher confiável. A mulher boa de cama. A mulher que chupa com gosto e não por obrigação. A mulher que nos dá saudades. E, talvez o mais importante, a mulher que nos faz rir.
A mulher ideal, portanto, é quase um monstro como Frankstein. Deve ser por isso que não existe. Ou está casada.
7:41 PM
Segunda-feira, Abril 02, 2007
O sonho acabou. E veio o sexo.Cintia está casada há dois anos. Casou com o primeiro namorado, com quem já estava junto há seis anos. Desde os seus 17. Sim, tem apenas 23 hoje. Pouco para uma mulher casada. Muito para sua aparência de menina. Jeito de colegial. Loira, pele bem branca, gostosa. Bons peitos, boas pernas. O tipo de mulher que você vira para olhar na rua. Não só pelo corpo. Pelo jeito. Ela sorri sozinha. Ri de si mesma o tempo todo. Canta enquanto anda. Dança enquanto dirige seu carro. Parece feliz até numa fila do supermercado.
Está no último ano de arquitetura. E traz em cada olhar, cada palavra e cada sorriso o entusiasmo de uma universitária sonhadora. Era feliz e sonhadora e entusiasmada também no casamento. Até poucas semanas atrás, quando encontrou o recibo do motel do marido. R$ 145,00. Caro, além de tudo. O marido tem dinheiro. Bastante. Isso explica muita coisa, inclusive porque ela resolveu fazer sexo com outros homens e continuar casada - e não simplesmente ir embora.
7:22 PM
Domingo, Abril 01, 2007
CintiaToquei timidamente a campainha. Uma vez. Ela não veio. De novo. De novo ela não veio. Comecei a ficar com vergonha. De pé, tocando a campainha de uma mulher casada. Todo mundo sabia disso na rua. Três casas à direita vi uma velhinha. Dessas bem velhinhas, vestida com um vestido florido de mangas cumpridas. Apertava contra o peito uma carteira, igualmente florida. Rosas vermelhas. Caminhava na minha direção. Não disfarçou que me olhava. Eu disfarçava. Toquei sem timidez a campainha. Cíntia demorou alguns segundos para abrir, o tempo da velhinha passar por mim e me dizer bom dia. Cíntia abriu a porta com os cabelos molhados, de roupão branco, chinelos. Tinha acabado de sair do banho, constatação que me trouxe à mente a possibilidade concreta da transa na cozinha. Entrei sem graça, com pressa, e olhei bem para ela.
8:44 PM
Novo cardápio sexual
Era minha primeira vez. Não dava pra ficar à vontade. O marido dela tinha saído em seu Corolla Preto meia hora atrás. Eu tinha visto de dentro do meu carro 1.0 sem ar-condicionado. Já tive mulheres que tinham alguém. Um namorado, um rolo, um velho amigo que gentilmente as comiam de vez em quando. Mas era a primeira vez que eu ía à casa de uma casada, de onde um marido tinha saído há pouco. Talvez enquanto eu esperava sob aquele sol de 40 graus eles estivessem lá na cozinha, transando em pé, enquanto ele lia as últimas notícias econômicas no jornal. O dólar subiu, a bolsa anda oscilando muito, o Lula nos Estados Unidos, o aquecimdento global. E ele pensando na secretária gostosa com quem almoçaria mais tarde. No motel. Cintia sabia disso. Tinha achado um recibo do cartão de crédito no bolso do terno. Cara burro. Foi quando dei sorte e, por vingança dela, passei a fazer parte do cardápio sexual dela.
11:34 AM
Sábado, Março 31, 2007
O encontro
Cheguei, parei e fiquei pensando. O botão da campainha me encarava. Eu olhava para baixo, como se aguardasse por alguém. Sei o que me esperava se tocasse naquele botão velho. E o que me esperava se eu virasse as costas e fosse embora. O sol forte da última semana torrava meus miolos. Do outro lado do portão de ferro vermelho, um cachorro vira-lata mesclado de marrom claro com marrom escuro pulava e latia. Mais pulava do que latia. Eu vestia uma calça preta, com duplas pregas de cada lado, sapato preto, camisa clara de manga curta. Estava 10 minutos atrasado, o que não era um problema. Ela sabia como eu era. O problema, quase sempre, é que eu não sei como eu sou.
7:45 PM
Sexta-feira, Janeiro 12, 2007
Ano que muda!Tia Conceição foi a primeira a chegar. Estava feliz e vestida como um bombom. Chegou com um peru numa mão e o marido na outra. Tio Adauto. Palmeirense roxo. Irmão do meu pai. Corinthiano doente. Vai entender. Roseane e Rosa, as primas, não vieram. Tinham coisa melhor pra fazer na praia com seus namorados musculosos. Logo depois desembarcaram as tias Clara, Marília, Lourdes e Carmem. Seus maridos a tira-colo. Com exceção de tia Clara, solteirona desde que nasceu. Os homens não querem saber dela. Nem pra comer. Há quem desonfie que ela seja virgem. Acho difícil. Ela tem mais de 60. Já faz uns 40 que corre atrás de homem. Deve ter conseguido alguma coisa neste tempo todo. Eu não comeria minha tia, mas se comesse não seria ela. Tia Lourdes, quem sabe, a mais jovem. 55. Corpinho de uma quarentona esforçada. Foi a última que casou, das que casaram. Mas no caso dela não foi desespero. Era oferta demais. Homem sobrando. Aproveitou bem. Faz 10 anos que está casada. Algumas das tias, especialmente Clara, gostam de dizer baixinho, só para as outras tias ouvirem, que Lourdes continua aproveitando. Fora de casa. Faz bem. Ela tem cara de quem faz bem feito, aliás. Azar do tio Cornélio. Ninguém mandou ser gordo e rico.
Só vieram os primos quarentões, casados e solteiros. Os chatos. E eu. Os legais tinham ido viajar com suas esposas, maridos, filhos e cachorros. Cheguei às 10 e fui direto pra geladeira. Cerveja. Sentei com os tios gordos, vestidos com suas camisas listradas de manga curta e calças de tergal azuis ou marrons. Sapatos pretos. Cintos desgatados pretos. Bebiam e falavam sobre futebol. Sentei e fiquei ouvindo. Não faz muitos anos que não aguentaria aquela conversa. Não pelo futebol. Por eles. Tios velhos, eu achava. Ficava com os primos da minha idade. Primos que, hoje, só falam de dinheiro (os solteiros) e da família (os casados). Fiquei com os tios. Pensando quanto ainda faltava para eu me transformar num deles. Pensando se isso já não havia acontecido.
A prima Marta também estava lá. Outra quarentona encalhada. Acho que vai seguir os maus passos de tia Clara. Mas já teve seus bons momentos. Deu pra pelo menos dois primos no passado. E pra outros muitos homens. Foi boa nisso até seus 30. Foi quando começou a engordar. E perdeu o controle. Perdeu os homens. Acho que já perdeu as esperanças. Dobrou de tamanho. Estava lá, com a mãe, tia Marília, e também com a tia Clara. Encontro da pesada.
Eu, Marta e outros solteiros tivemos de aguentar as piadas sobre ficar pra titia. Sorte tem a tia Clara, que além de meio surda ainda está livre dessa tortura. Devem ter pena dela. Talvez pensem: "esta não tem mais jeito, vamos tentar salvar os outros". Pelo menos duas tias e um primo sem graça perguntaram de Camila. Dei as mesmas respostas do ano passado e enchi a boca de tender e farofa pra poder não falar.
Meia-noite e meia, logo depois que acabaram os cumprimentos de Feliz Ano Novo, beijei meus pais e fui embora pra casa. Sozinho.
5:31 PM
Quinta-feira, Novembro 23, 2006
A paixãoOs exemplos estão por aí. Em toda parte. Na vida real. Na novela. Nas capas de revistas femininas. Nas conversas com pessoas que conhecemos. Gente que não cansa de se apaixonar. Independente da idade. Gente que amou muito aos 20. Aos 30. Aos 40. Aos 50. Gente que, aos 60, está novamente vivendo uma nova paixão. E, se não der certo, muito provavelmente ainda vai se apaixonar outras vezes por gente que ainda não conheceu.
Apesar dos exemplos, ou por causa deles, minha capacidade de se apaixonar não é mais a mesma. E não estou falando só de mim. Há outros exemplos, ao nosso redor, que mostram gente que também sente-se assim. E apenas não dá entrevista em revista contando esta particularidade. Esta é a grande novidade que descobri no último ano.
As mulheres vão dizer que homem de 40 solteiro querendo se apaixonar é artigo raro no mercado. Vão dizer que se ele, o tal solteiro-quarentão, está sozinho é porque quer. Porque é exigente demais. Porque quer aproveitar a vida de solteiro. Tudo isso pode ser verdade e mentira, em momentos diferentes, com pessoas diferentes.
Mas não se trata de querer se apaixonar, ou não. Estou falando simplesmente de não se apaixonar. De não acontecer. De não sentir saudades de ninguém. Simples assim. Não é difícil encontrar uma mulher bonita, um bom beijo, uma boa transa ou uma mulher inteligente. O difícil é encontrar um conjunto de qualidades como essas que provoquem saudades, paixão.
E não acho que seja culpa delas, as mulheres solteiras. Acho que a gente (nós, os homens solteiros desta idade) vai ficando diferente com os anos. Tem menos curiosidade de conhecer ou entender melhor as mulheres desconhecidas. Menos paciência de entrar na vida delas. De deixá-las entrar na nossa. Menos tempo. Menos saco.
Definitivamente, é diferente.
6:00 PM
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